Rua Pierre-Schiltz
1st December 2024
Syndicat d'Initiative et de Tourisme Kayl
Pierre Schiltz, nascido em 15 de novembro de 1881 em Rumelange, Luxemburgo, e falecido em 14 de janeiro de 1952 em Dudelange, foi um industrial inovador e uma figura política local, tendo ocupado vários mandatos como prefeito de Kayl (1921-1928, 1932-1934 e 1952). Suas lâmpadas de carbureto, utilizadas em minas e reconhecidas por sua qualidade e durabilidade, marcaram a história do trabalho mineiro, não apenas em Luxemburgo, mas também internacionalmente. Com sua engenhosidade e dedicação, Schiltz deixou uma marca indelével na história local e industrial.
Pierre Schiltz iniciou um aprendizado como mecânico na França antes de retornar ao Luxemburgo. Seu apelido, "Lutepitti", surgiu quando começou a se destacar por sua inventividade na criação e fabricação de lâmpadas de acetileno, também conhecidas como lâmpadas de carbureto. Esses dispositivos de iluminação utilizavam a reação química entre carbureto de cálcio e água para produzir acetileno, um gás inflamável usado como combustível. Esse tipo de lâmpada foi amplamente usado por mineiros e espeleólogos no início do século XX, até o surgimento da iluminação elétrica.
Em 1902, as lâmpadas comercializadas pela empresa Buchholtz & Ettinger, da Alemanha, sob o nome "Reform", apresentavam muitos defeitos técnicos, o que motivou Schiltz a trabalhar ativamente em sua melhoria. Ele aperfeiçoou esse modelo em seu ateliê em Tétange, criando as versões "Exelsior 1" e "Exelsior 2". Em 1912, a "Simplex" foi lançada no mercado com o slogan "a lâmpada mais simples do mundo", graças ao seu sistema de fechamento em baioneta. Em 1913, ele apresentou o modelo "Record 1", mais robusto, cujas patentes foram registradas conjuntamente pela empresa Buchholtz & Ettinger e por Pierre Schiltz. Em 1934, com a criação da "Record 2", uma versão aprimorada que se tornou um modelo emblemático, Pierre Schiltz alcançou o auge de sua carreira industrial.
Com o fechamento de sua fábrica em Tétange em 1952, uma parte significativa da história industrial do país foi esquecida. No entanto, seu legado foi preservado graças aos esforços de colecionadores e historiadores. Muitas lâmpadas de carbureto luxemburguesas, especialmente as produzidas por Schiltz, foram adquiridas pela empresa Mercier, de Nancy, e posteriormente, em um leilão, passaram para Walter Dexheimer, que as doou ao Ecomuseu das Minas de Ferro da Lorena, em Neufchef & Aumetz, na Mosela.
O prédio dos antigos ateliês de Pierre Schiltz, ainda localizado na rua que leva seu nome em Tétange, é um elemento essencial do patrimônio local. Preservado pelo Museu FERRUM, também situado nessa mesma rua, desempenha um papel importante na valorização da história industrial da região.
A invenção da lâmpada de carbureto, entretanto, permanece disputada: o americano T.L. Wilson foi o primeiro a registrar uma patente, mas a descoberta do gás acetileno é atribuída ao químico inglês Edmund Davy (1836) ou ao alemão Friedrich Wöhler, que teria sintetizado carbureto de potássio pela primeira vez em laboratório em 1861. Os químicos franceses Marcelin Berthelot e Henri Moissan, vencedores do Prêmio Nobel de Química, já haviam utilizado a cristalização de calcário e carbono para uma produção industrial.
