Fátima Gonçalves, artista comprometida
2nd December 2024
Syndicat d'Initiative et de Tourisme Kayl
Fátima Gonçalves, artista comprometida, dedica sua vida a unir criatividade e engajamento social. Cabeleireira e, mais tarde, gerente de loja, ela se reorienta profissionalmente para acompanhar pessoas com deficiência e autismo. Movida por sua paixão pela cerâmica, combina inventividade e inclusão organizando oficinas e colaborações artísticas, testemunhando uma trajetória rica e inspiradora.
Fátima nasceu em Torres Vedras, Portugal, a 40 km de Lisboa. Aos 4 anos, deixou seu país natal com a família para se estabelecer em Luxemburgo, na cidade de Esch-sur-Alzette. Durante a adolescência, frequentou o Liceu Victor Hugo, onde desenvolveu uma paixão pelas artes. Sonhava em ser criadora de máscaras, uma arte que envolve projetar e confeccionar revestimentos faciais para teatro e cinema, misturando maquiagem, escultura e design para dar vida aos personagens. Apesar dessa vocação artística, Fátima optou por um aprendizado em cabeleireiro, profissão que exerceu até os 27 anos.
Após gerenciar uma loja de roupas na cidade de Luxemburgo por três anos, Fátima decidiu, aos 30 anos, reorientar sua carreira para se dedicar integralmente ao campo do acompanhamento humano. Após várias formações e estágios, incluindo experiências em Reckange-sur-Mess, numa casa de repouso em Soleuvre e numa instituição para pessoas com deficiência em Esch, Fátima iniciou sua carreira no setor social. Com base nessas experiências, passou oito anos em um centro especializado no cuidado da doença de Alzheimer (ALA - Associação Luxemburgo Alzheimer) em Esch-sur-Alzette, antes de continuar sua carreira na APEMH de Esch (Associação de Pais de Crianças com Deficiência Mental). Há 16 anos, dedica-se ao acompanhamento de pessoas com deficiências múltiplas e autismo.
Fátima conduz diversas atividades enriquecedoras com pequenos grupos de até cinco pessoas, incluindo música, oficinas criativas, trabalhos manuais e meditação. Após a pandemia de Covid-19, Fátima Gonçalves retornou à sua paixão inicial: as artes. Seu trabalho na APEMH a levou a explorar mais profundamente a cerâmica, especialmente devido a um usuário que só conseguia trabalhar com argila. Ela decidiu incorporar aos seus ateliês de cerâmica o método "Affolter", originário da Suíça. Essa prática baseia-se em uma abordagem tátil e sensorial para estimular a coordenação e a percepção. A cerâmica, com sua delicadeza e precisão, mostrou-se ideal para melhorar a destreza e oferecer uma atividade terapêutica.
Inspirada por essa experiência, Fátima decidiu dedicar-se completamente à cerâmica e seguiu formações especializadas na região de Moselle para aprimorar suas competências. Como membro do clube artístico "Art Libre Esch", enriquece seu universo criativo com esculturas e vasos. Seu mais recente interesse, as impressões industriais, consiste em pressionar objetos, texturas ou padrões sobre argila ainda maleável para criar relevos ou marcas. Isso pode incluir impressões naturais (folhas, cascas), objetos manufaturados (engrenagens, tecidos, ferramentas) ou padrões esculpidos à mão, refletindo uma estética única e crua.
Fátima se destaca como uma verdadeira fonte de inspiração por seu compromisso com a diversidade e a expressão artística. Sua trajetória, marcada por sensibilidade e generosidade, enriquece o bem-estar dos outros enquanto alimenta sua própria esfera criativa. Em uma abordagem inclusiva, organiza regularmente colaborações artísticas entre os usuários da APEMH e os do SEA (Serviço de Educação e Acolhimento) de Kayl (Widdem), criando pontes entre a arte e o social, numa iniciativa profundamente marcada pela humanidade e pela criatividade.
